Da Redação do Aconteceu Ipu
Uma eleição que exige atenção redobrada
A eleição de 2026 chega cercada de discussões que vão muito além da disputa entre candidatos. Estão em debate a democracia, a soberania nacional, o respeito às instituições e a capacidade do Estado brasileiro de garantir que o cidadão possa escolher seus representantes sem pressão, ameaça ou interferência de grupos que atuam à margem da lei.
É justamente por isso que o eleitor precisa estar atento. O debate político não pode ser reduzido a uma guerra entre grupos ideológicos. O que está em jogo é algo maior: a preservação das regras democráticas e da liberdade de escolha.
Soberania nacional não se negocia
As relações entre Brasil e outras potências devem ser conduzidas dentro dos princípios da soberania e do respeito mútuo. Pressões externas, sanções, disputas diplomáticas ou manifestações de governos estrangeiros podem e devem ser debatidas publicamente, mas não podem substituir a vontade dos brasileiros nem determinar os rumos das instituições nacionais.
A soberania não pertence a um governo específico, a um partido ou a uma corrente ideológica. Pertence ao povo brasileiro.
O perigo da transformação da política em território de grupos armados
Existe, porém, outro risco que merece atenção ainda maior: a aproximação entre política e organizações criminosas.
Não podemos tratar como algo normal a possibilidade de grupos armados, milícias, organizações paramilitares ou facções exercerem influência sobre eleições, candidatos, comunidades ou agentes públicos.
Estudo publicado na biblioteca digital do próprio TSE aponta riscos relacionados à interferência de facções nos processos eleitorais, incluindo coação de eleitores, financiamento ilícito, intimidação de adversários e tentativa de captura do poder público.
Esse é um problema que não deveria ser tratado como uma questão de esquerda ou direita. Crime organizado não pode ter ideologia acima da lei.
Quando um grupo criminoso consegue determinar quem pode fazer campanha, quem pode votar, quem pode ser candidato ou quem pode exercer determinado cargo público, a democracia deixa de funcionar plenamente naquele território.
Milícia na política é uma ameaça às instituições
A palavra “milícia” não pode ser banalizada. A legislação brasileira de 2026 passou a tratar especificamente de organizações criminosas ultraviolentas, grupos paramilitares e milícias privadas que utilizam violência ou grave ameaça para atingir a paz pública, a segurança coletiva ou o funcionamento de instituições.
O próprio TSE consolidou o entendimento de que pessoas vinculadas a grupos paramilitares ou criminosos não podem participar do processo eleitoral.
O perigo está justamente quando a força econômica, territorial ou armada de grupos criminosos começa a ser convertida em influência política.
Uma coisa é o cidadão exercer livremente sua opção política. Outra, completamente diferente, é uma comunidade votar sob medo, um candidato ser pressionado por criminosos ou uma organização utilizar seu poder territorial para controlar o resultado eleitoral.
A democracia não pode escolher seus representantes sob ameaça
Uma eleição só é verdadeiramente livre quando o cidadão pode escolher sem medo.
Por isso, qualquer tentativa de utilizar violência, intimidação, dinheiro ilícito ou controle territorial para interferir na política precisa ser tratada como uma ameaça à própria democracia.
O TSE e os partidos políticos firmaram, em 2026, um compromisso pela integridade das eleições, incluindo o respeito ao Estado Democrático de Direito, a segurança do processo eleitoral e o reconhecimento do voto como expressão legítima da cidadania.
Esse compromisso precisa sair do papel e alcançar a realidade das comunidades brasileiras.
Não existe democracia forte com crime organizado controlando territórios
O avanço de organizações criminosas sobre espaços que deveriam ser ocupados pelo Estado é um problema que ultrapassa a segurança pública. Quando esse poder começa a alcançar eleições, partidos, candidaturas ou instituições, transforma-se também em um problema democrático.
O Senado chegou a instalar uma CPI destinada a investigar a atuação, a expansão e o funcionamento de organizações criminosas, especialmente facções e milícias, incluindo suas estruturas de tomada de decisão e formas de atuação.
Isso demonstra que o problema não pode ser ignorado.
O eleitor precisa olhar além da polarização
O Brasil não pode permitir que a política seja dominada pela lógica do “nós contra eles”. A defesa da democracia não deve significar defesa automática de qualquer político, partido ou instituição. Da mesma maneira, criticar uma instituição não pode ser confundido automaticamente com rejeitar a democracia.
O cidadão tem o direito de questionar governos, ministros, parlamentares, partidos e decisões públicas. Mas todos também têm o dever de respeitar as regras democráticas e rejeitar qualquer tentativa de substituir o voto pela violência.
O alerta precisa valer para todos
Seja qual for a ideologia, o partido ou o grupo político, uma regra deveria ser inegociável: organização criminosa não pode comandar a política brasileira.
Não podemos aceitar que dinheiro ilícito compre influência, que armas determinem votos, que territórios sejam transformados em currais eleitorais ou que candidatos dependam da autorização de grupos criminosos para exercer seus direitos políticos.
Da mesma forma, a interferência estrangeira não pode substituir a soberania popular.
A democracia brasileira pertence aos brasileiros. E sua defesa precisa ser feita sem violência, sem autoritarismo, sem milícias, sem facções e sem interferências que pretendam colocar interesses particulares acima da vontade popular.
No fim, a maior proteção da democracia continua sendo uma sociedade informada, instituições submetidas à Constituição e um eleitor livre para escolher seu caminho.
Por: Afranio Soares
(Redação do Aconteceu Ipu)
** Postagem: Virginia Aragão Soares
(Direto da Redação do Aconteceu Ipu)
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