(..) “Essa é uma janela tática para formar preço médio ao longo do tempo”, diz Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad. A queda, afirma ela, teve como gatilho o otimismo em relação ao fim da guerra no Irã, mas o futuro do conflito ainda está em aberto – o que pode trazer volatilidade para os mercados nos próximos dias.
Estratégia de compra gradual
A chamada formação de preço médio é uma estratégia simples. Consiste em comprar a moeda de forma parcelada em vez de tudo de uma vez, de forma a limitar prejuízos caso o dólar flutue de volta para patamares mais altos.
Na mesma linha, Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil, avalia que o real é beneficiado pela maior distância do Brasil em relação ao conflito geopolítico.
Para investidores interessados em comprar dólar, ele recomenda fracionar as aquisições e se concentrar no longo prazo, tratando a moeda como proteção. “O recomendado é dividir a compra em, pelo menos, três momentos até a data de uma viagem para formar um preço médio”, afirma.
Proteção de patrimônio e diversificação
Essa tática vale para a formação de carteira também. “A grande maioria dos brasileiros não tem exposição à moeda. Manter uma parte da carteira em dólar é uma forma de proteção: por mais que o curto prazo seja volátil, o longo prazo tende a provar que a moeda é resiliente a choques e instabilidades, protegendo o dinheiro do investidor”, diz Zogbi.
É possível se expor ao dólar por meio de ETFs (fundos de índice, na sigla em inglês) e fundos cambiais, ou mesmo contas internacionais para quem quer ter a moeda.
Custos e impostos envolvidos
Em termos de impostos, a depender do método escolhido para se expor ao dólar, a operação pode envolver cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e de IR (Imposto de Renda), além da incidência de spread (diferença entre o preço de compra e o de venda), cobrado pela instituição financeira. No caso dos fundos cambiais, há ainda taxas de administração.
Wanessa Guimarães, planejadora financeira pela Planejar e sócia da gestora de patrimônio HCI Advisors, ressalta que contas internacionais ou cartões pré-pagos são recomendados para uso cotidiano, como em viagens, por oferecer taxas menores do que cartões de crédito convencionais.
(..) “A conta internacional é ótima para quem tem necessidade real de usar dólares no dia a dia: é possível manter o dinheiro em dólar, e, caso o cliente viaje ao exterior, basta utilizá-lo diretamente com o cartão da própria conta”, afirma Guimarães.
As plataformas costumam cobrar o IOF cheio, de 3,5%, mais taxas de corretagem e administração. Para ganhar mercado, algumas oferecem descontos nessas tarifas.
Opções para investir em dólar
Entre as contas internacionais, as mais populares no Brasil são: Wise, Avenue, Nomad, Revolut, Astropay e até as fintechs C6 e Inter.
Para quem busca proteger patrimônio, fundos cambiais, que podem ser acessados por meio de contas de investimento em corretoras brasileiras, são uma boa pedida.
Neles, o investidor não precisa lidar diretamente com o câmbio e compra cotas com rentabilidade atrelada a títulos de dívida internacional ou a contratos cambiais.
ETFs também são recomendados para proteção de patrimônio. São fundos negociados em Bolsa e compostos, majoritariamente, por uma cesta de ativos. Esses fundos também podem replicar índices de referência, como o S&P 500 e o Ibovespa.
Cenário global e fatores de influência
Desde que o dólar furou o piso de R$ 5, na segunda-feira passada, a cotação flutuou entre R$ 4,95 e R$ 5,01. A queda da moeda é resultado de ventos favoráveis, como a possibilidade de trégua no Oriente Médio e a busca por oportunidades em países com menor exposição a conflitos.
Após Donald Trump assumir a Casa Branca pela segunda vez, ganhou força no mercado financeiro global um movimento conhecido como “rotation”, ou rotação, que busca diversificar investimentos fora dos Estados Unidos, favorecendo mercados emergentes como o Brasil.
Outro ponto a favor do Brasil é o diferencial de juros em relação aos Estados Unidos, estratégia conhecida como “carry trade”, que fortalece o real.
Riscos e incertezas no horizonte
Por outro lado, também há a possibilidade de a moeda reverter a tendência e voltar a subir. O fato de 2026 ser ano eleitoral acende alerta para aumento de gastos públicos. O Boletim Focus da semana passada aponta para o dólar em R$ 5,37 no final do ano.
Como comprar dólar
Conta internacional ou em dólar: Oferecida por bancos ou plataformas digitais. Permite manter saldo em dólar no exterior. Incide IOF de 3,5%;
Cartões internacionais pré-pagos em dólar: Funciona como um cartão recarregável, também com IOF de 3,5%;
ETFs: Negociados em Bolsa, com incidência de Imposto de Renda sobre ganhos;
Fundos cambiais: Acompanham a variação do dólar, com IR e IOF em alguns casos;
Compra de moeda em espécie: Disponível em bancos e casas de câmbio, com cobrança de IOF de 3,5%.
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